sábado, 13 de setembro de 2014

Uma religião sem preconceitos



Religião deveria simbolizar respeito e amor. Entretanto não é o que percebemos, numa época em que a fé está servindo de estratégia e arma para tantos ignorantes e oportunistas.  

Enquanto o novo Papa reformula os conceitos católicos, temos que aturar algumas igrejas que surgem e crescem desenfreadamente, chefiadas e lotadas por seres que são tudo, menos religiosos, misturando Deus com política e usando seus dogmas como ferramentas para promoverem a ostentação, a riqueza, o poder, a ganância, a maldade e a intolerância, ferindo os nossos princípios, valores e éticas de cidadãos.

Mas para os pastores Marcos Gladstone e Fábio Inácio, que divulgam sua moderna doutrina às pessoas em geral, em destaque para a comunidade homossexual, amar é algo concebível a qualquer um, como diz os versículos de Coríntios, 13:4-7: “O amor é benigno” e “não suspeita mal”.

Foi a partir desses e outros versos da sagrada escritura que o então jovem advogado, Marcos Gladstone, estudou Teologia e iniciou seu revolucionário trabalho de doutrina, após ter vivido um certo tempo no terreno americano, regressado ao Brasil e aberto um templo vinculado a Metropolitan Community Churches (Igreja da Comunidade Metropolitana), que prestava serviço social e ecumênico aos homossexuais.

Dois anos depois conheceu Fábio Inácio, que era supervisor de atendimento bancário e estudava Comunicação Social. Ambos vinham de retrógadas formações evangélicas. E aquela união resultou na criação da Igreja Contemporânea, no qual todos são aceitos indiscriminadamente.

A princípio alugaram uma pequena cobertura em um prédio comercial, no centro do Rio, onde surgiram os primeiros adeptos. Logo o culto se mudou para o térreo inteiro e maior da mesma construção. E outras filiais começaram a inaugurar na cidade e no país, através de um crescente público, entre assíduos e visitantes, novos ou periódicos, constituídos pelos mais variados níveis, idades e educação, entre famílias, solteiros e casais do sexo oposto ou igual.

Lá, “os contemporâneos”, como são chamados, louvam a Deus, unidos pela igualdade e crença. E a cada ano celebraram sua existência, realizando um grande ritual no Teatro Serrador, que comporta cerca de quinhentos fiéis.

“Após conhecer o Pastor Marcos compreendi o significado do livre acesso para adorar a Deus como realmente sou”, declarou o Pastor Fábio. “Fui criado no evangelho desde criança. Formei-me pastor em outra congregação e tive até noiva. Hoje, posso ser eu mesmo e realizar o meu trabalho de amor e fé, com consciência e verdade. Por muitos séculos vivemos na cegueira espiritual, na direção do medo, tapados pela mordaça da culpa e engessados por preconceitos religiosos”.

“Desde os tempos mais remotos, vemos cada vez mais certos desvios doutrinários, apreciados por líderes religiosos mal-intencionados, apropriando-se de inverdades e se esforçando arduamente para exercitá-los”, confirmou o Pastor Marcos, que também havia sido noivo. Ele assegura que é possível um homossexual conhecer e viver as verdades divinas: “Toda inverdade deixa um rastro que, cedo ou tarde, alguém percebe, sinalizando brechas. A maquiagem escorre, cai por terra o reboco mal feito e então visualizamos o que realmente estava por trás daquela capa”.

Para eles, que se empenham contra qualquer forma de preconceito, principalmente o sexual, o fato está se rompendo com o feliz número de devotos que cresce a cada dia. “A homofobia religiosa”, contestam, “provém da errônea tradução e distorção das palavras de Deus”.

Além de prestar assistência humanitária e religiosa, a igreja possui uma intensa agenda de atividades voltada para a formação e informação espirituais; programação cultural dos ministérios de música, coral, dança e teatro; encontros temáticos para solteiros e casais; passeios; retiros e outros.

“Uma nova comunhão que já é comum há muito tempo nos Estados Unidos e na Europa. Somos muito atrasados aqui no Brasil, mas isso está finalmente mudando”, desabafa um dos frequentadores, que também pertence ao meio artístico. “Aqui na Igreja Contemporânea eu me sinto inserido no mundo. Ganho novamente credibilidade no ser humano e saio com esperança de uma vida melhor. É tão bom participar de algo que não esteja voltado às fúteis e arrogantes estéticas capitalistas e físicas que predominam no meio gay”, confessa outro membro.

De acordo com eles, por muitos anos os homossexuais foram marginalizados por suas diferentes “condições” sexuais, que não são “opções”, como muitos rotulam e confundem. “É notório no decorrer da história a quantidade de atrocidades cometidas devido à intolerância dos homens”.

Como concretização de sua carreira e liderança, o Pastor Marcos Gladstone também lançou “A bíblia sem preconceitos”, amparando-se a explicar e tecer outros olhares a respeito da bíblia, desmitificando seus julgamentos equivocados, opressores e arcaicos. “A bíblia foi muito usada para a exclusão através da catequização manipuladora”, escreve o autor. “Imagine hoje alguém ser afastado de Deus, por exemplo, porque nasceu negro. Outra vítima do preconceito religioso foram as mulheres. Então por que privar homossexuais do livre acesso ao Reino de Deus?”

Dentro dos onze capítulos muito bem distribuídos, com apresentação do Pastor Fábio e introdução do próprio autor, o livreto tem uma linguagem acessível e ao mesmo instante formal, que sugere uma leitura atenciosa e um preço acessível. 

Aborda os principais temas do polêmico universo religioso homossexual respaldando-se em análises bem fundadas, exemplificados com situações e mensagens de outros interlocutores. E rapidamente atingiu uma espantosa venda e repercussão, aproximando os que procuram um abrigo espiritual sem as antigas amarras discriminatórias, atraindo os curiosos e estudiosos sobre o assunto, e incomodando os que detêm a ignorância em prol de seus interesses e poderes.

“Não estamos falando de heterossexuais que fazem sexo homossexual para quebrar a rotina, mas de dados pessoais da conduta e relação gays, com liberdade para amar, que é o contrário da libertinagem”, explica Marcos, que cita as más traduções bíblicas, inovando o seu ministério profético. “Texto sem contexto é pretexto”.

“Nossa missão é levar o amor de Deus a todos e sem preconceitos”, enfatizam eles, convidando aos que desejam alçar voos por diferentes céus e ficarem livres das injustiças: “Venham viver nas asas de um novo tempo”.

E parabéns aos corajosos rapazes que estremecem os alicerces contemporâneos, ensinando com sabedoria, paz e amor, para uma humanidade tão torpe e carente, o que é diversidade, respeito e cidadania.


domingo, 7 de setembro de 2014

Um viajante solitário e feliz



Ernesto Chulón entre os escritores Fábio Fabrício Fabretti e Lucas Nobre.

Passeando por Paraty, em meio a Flip, com a atriz Kátia D'Angelo e Amaral, não é que meu parceiro Lucas Nobre reencontrou um amigo um tanto original?

Ernesto Chulón é um argentino que sorri até respirando e com uma alma mundana. 

Sua fama já se estende desde o sul do país, quando, numa noite de inverno, mais precisamente em 02 de maio de 2013, o rapaz, então com 25 anos, resolveu viver uma forte experiência, enfrentando seus limites e buscando a liberdade plena, iniciando uma jornada louca, longa e sem destino da Argentina pelo mundo afora, apenas com sua bicicleta devidamente equipada. 



Procurando o sentido da existência e do que realmente significa pertencer ao processo evolutivo, como ele mesmo diz, começou a pedalar sem rumo, 'vivendo como um homem livre que escolhi, segundo os ditames da consciência e o ritmo do meu coração.' 

Sua justificativa para trocar a vida comum e banal, que ele chama de limitação, e de seguir inconscientemente, representa-lhe fazer o que ama: ser livre. 

Mas, para isso, Ernesto ou Chulón, como simplesmente é conhecido, traz seu lado espiritualizado, alegando que busca pelas estradas a linguagem do coração, aprendendo com os que sabem, com os que aqui estão e até com os que já partiram.



Em sua brincadeira de rodar por aí, Chulón leva a vida a sério. E deseja 'extrair de cada momento o seu melhor suco, seja na calmaria ou na tempestade, na alegria ou na tristeza, pois cada instante em que pedala lhe soa como uma ação sagrada'. 

Viajar, para ele, é mais uma grande aventura, principalmente através de uma bicicleta, onde se permite desafiar e satisfazer uma necessidade que é o seu centro de gravidade, fortemente atraído por um núcleo misterioso e pelas forças que lhe são incompreensíveis, sentindo que tais energias lhe servem também de alimentos essências.    

O viajante errante, além de extrovertido e comunicativo, diz ter nascido num momento histórico da humanidade, e por isso quer também fazer da história, aproveitando tudo aquilo que contribui para a sua caminhada e busca da felicidade.

Ele se considera um 'filho da existência, da terra e da criação'. E segue com o seu direito legítimo e aventureiro de atravessar e conhecer os mistérios da vida. 'A beleza está em todos os lugares, nós é que não as biscamos ou sequer as enxergamos.'



Agora completando um ano de andança ou 'pedalança' instintiva e intuitiva, Chulón comemora sem parar, por onde passa, o que lhe permite 'a possibilidades de expressar, sentir e recordar sempre da principal causa de optar por isso: o desejo de partilhar a liberdade com tudo e todos que encontro pela frente, onde cada um trilha - ou não - ao seu estilo.'   

Conforme um folheto feito por ele mesmo, que espalha poeticamente por onde passa, entre fotografias que alguns pedem para tirar com ele, diz: 'Como acontece com todos nós, sempre vivemos momentos de felicidade. São momentos divinos. São faíscas de luz diante da vida cinza e ordinária. Mas que duram pouco, porque sempre aparece um sofrimento que apaga ou não traz energia suficiente para mantê-la acesa.'    

E foi assim que nós o encontramos, naqueles dias festivos em Paraty. Ou que ele os encontrou: Viajante, solitário e sonhador.

Mas feliz.


  



  

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Adeus, Joan Rivers



Nós tivemos Dercy Gonçalves. Os americanos tiveram Joan Rivers.

Fora o humor debochado e a feminilidade meio exagerada de ambas, Joan foi diferente de Dercy. Mais over, tanto nas críticas quanto na vaidade. E com menos longevidade.

Considerada a Rainha do Riso da América e uma das pioneiras no gênero stand up cômico, virou um dos ícones da cirurgia plástica nos EUA, realizando quase mil operações durante toda a vida, alegando que o mundo artístico não perdoava feiura e nem velhice. 

Linda e talentosa, Joan foi atriz, roteirista, comediante e apresentadora. Adorava moda. Fazia a cobertura do Oscar e eternizou a frase em cima do tapete vermelho: 'Quem você está vestindo?'

Deixou sua herança num testamento para a filha Melissa, com alguns pedidos surreais: que seu funeral fosse um grande acontecimento digno de Hollywood, como um verdadeiro showbiz de luzes, câmeras e ação, incluindo o serviço de buffet, uma iluminação cinematográfica e toda imprensa. 


Mesmo de origem judaica, registrou que preferia as lágrimas dramáticas da amiga Meryl Streep ao ritual de um rabino. E trocava o discurso judaico pela voz de Bobby Vinton cantando 'Mr. Lonely'. Quis ser vestida com um modelito a la Valentino que deixou escolhido. E que Harry Winston lhe fizesse uma etiqueta personalizada para pendurarem no dedão do seu pé. 

O mais original e engraçado foi o pedido de uma máquina de vento em direção ao caixão, para que seu cabelo voasse como o de Beyoncé nos palcos. 

Se os seus exóticos desejos fúnebres foram realizados, não sei, mas um documentário exibido em sua homenagem mostra a emocionante cena em que Joan, antes de realizar uma de suas últimas intervenções cirúrgicas, parece sentir que algo ruim lhe aconteceria. 

Triste e insegura, ela se despede da filha, num momento de sincera e íntima emoção, afirmando que, se caso algo lhe acontecesse, não dissessem que ela havia partido cedo, pois tinha vivido muito e bem, com diversos momentos felizes. E ainda comenta que apesar de tudo a vida pode ser divertida como um filme.

Então, aos 81 anos, faleceu essa semana, por complicações cirúrgicas. 

É. As pessoas se vão, mas ficam suas histórias. Todos os artistas são mortais porém os mitos duram para sempre.


Algumas frases revelando o humor negro de Joan:

"É preciso estar maravilhosa até morta." 

"Não faço exercícios. Se Deus quisesse que eu me agachasse, ele teria colocado diamantes no chão."

"Não me importo se acontecem coisas boas e ruins. O importante é que você está vivo. As coisas estão acontecendo."

"Eu fiz sucesso falando o que todo mundo está pensando."

"Comecei a pensar em piadas enquanto eu estava caminhando pela cidade no 11 de setembro."

"Comédia é um jogo de homens brancos nervosos. Mesmo se você for Chris Rock ou Joan Rivers, você de fato é um homem branco e nervoso."

"Tudo o que minha mãe me disse sobre sexo é que o homem deveria ficar em cima, e a mulher, embaixo. Então, por três anos, meu marido e eu dormimos em uma beliche."

"Já fiz tantas plásticas que quando eu morrer vão doar meu corpo para a Tupperware."

"Parecer ter 50 anos é ótimo... se você tem 60 anos. "

"Meus pais não gostavam de mim. Eu tinha 9 anos e minha mãe ainda tentava fazer um aborto."

"Katie Holmes não é uma atriz tão boa. Você a viu interpretando a mulher de John F. Kennedy? Foi tão ruim que ele deu um tiro em si próprio."

"Olha, ninguém é 100% feliz. Eu sou 93% feliz, o que significa que sou muito sortuda. Acho que qualquer um que alcança 60% deveria agradecer."

"Eu sabia que eu era uma criança indesejada quando vi que meus brinquedos de banho eram uma torradeira e um rádio."

"Aprendi a apreciar momentos marcantes, como o Emmy que ganhei em 1990, um dos melhores momentos da minha carreira. Infelizmente, quando fui penhorá-lo, não era de ouro."

"Os peitos da Demi Moore estão tão separados que só se falam pelo skype."

"O único jeito que eu consegui para que um homem me toque nessa idade é com cirurgia plástica."


"Não faça amizade com seus cachorros! Aqueles filhos de umas cadelas vão literalmente morrer antes de você e te deixar triste." 
"Estilo é como herpes. Você tem ou não."
"Eu disse que Justin Bieber parecia uma pequena lésbica - e mantenho o que disse. Ele é a filha que Cher gostaria de ter." 
"Sabe por que me sinto velha? Fui comprar uma lingerie sexy e eles automaticamente embalaram achando que era para presente." 
"Olha só a Gwyneth Paltrow sendo eleita a mulher mais bonita esse ano. Ela conseguiu os votos de Hellen Keller e Stevie Wonder (cegos)."
"Minhas últimas palavras vão ser: 'Abaixe essa arma, era só uma piada!'" 
"As pessoas que votam para o Oscar são tão velhas. Eu nunca vi uma mulher da Academia com um absorvente na bolsa."  -
"Minha vagina é como New Jersey. Os homens sabem que está lá, mas não querem ir visitar." 
"A única vez que minha filha realmente chorou foi quando eu me sentei com ela e disse que ela não era adotada." 
"Mal posso esperar a carreira de Britney Spears terminar para que ela possa me servir café em uma loja de conveniência."

sábado, 16 de agosto de 2014

Carta para Marina Silva

Marina Silva (e talvez a todos os evangélicos da escalada política)

Desculpe-me, mas fico na dúvida de quem realmente a senhora deve ser. 

Qual será o seu verdadeiro caráter? Levando em conta minha (e nossa) constatação sobre a atuação dos evangélicos no poder, de uma forma geral, confesso que fico temeroso e espero logo o pior, baseado-me em minhas experiências pessoais (apesar de conhecer uma minoria que seja uma abençoada exceção).

A respeito do enfadonho discurso que a senhora dissemina sobre a 'perseguição evangélica', e das duvidosas declarações expostas na mídia sobre você, ora defendendo o casamento gay, ora torcendo pela 'cura' dos mesmos, afinal o que é real de fato? E você? É real? 

Só digo-lhe que deveria repensar ao defender a classe de um ser como Feliciano, que teve a audácia (e tiveram a burrice) de ser eleito Presidente da Comissão dos Direitos Humanos, demonstrando logo sua incapacidade ao citar e fazer atrocidades com 'seu' povo brasileiro.

Com falsidade ideológica e demagogia, aquele energumero (a quem nem perco o meu tempo escrevendo, porque mal deverá saber me interpretar) mostra sua incapacidade e ignorância através do elitismo (tendo vindo de origem pobre e ignorante), do racismo (que tem genética negra por mais que alise os cabelos), da teofobia (desrespeitando as demais crenças) e homofóbico (que dá mais pinta do que muitos gays por aí) e que ainda compra carro para a filha com o dinheiro da igreja (dizendo que foi Deus quem deu) e que depois de fazer e dizer tantas asneiras ainda se coloca como vítima de 'perseguição religiosa'. 

Não vejo gays perseguindo e nem atacando evangélicos, mas sim o contrário, sendo condenados e comparados com prostituição. Aliás, Marina, gays não saem por aí com o dedo acusador, julgando quem vai para o céu ou o inferno. Não agridem a sociedade depredando igrejas alheias e imagens de santos. Muito menos ousam protestar em outros eventos religiosos. 

Eles não sujam os ambientes públicos em que utilizam para encontros. E nem invadem a privacidade das pessoas, nas casas, ruas ou meios de transportes que pagamos para usar, com infundados e arcaicos sermões acusadores. Não deturpam a bíblia e a usam como uma covarde arma. Nem fazem propagandas de templos que na verdade são empresas. Não profanam em nome do sagrado. Não ofendem gratuitamente e nem se acham senhores da razão em nome do que dizem chamar de 'moral, ética e bons costumes'. 

Vale lembrar que gays não possuem pastores que fazem de suas fiéis escravas sexuais. E nem moram em mansões ou viajam de helicópteros e jatinhos com dinheiros doados por seu público miserável que deixa de comer para pagar o dízimo. 

Gays também são cidadãos. Nem a medicina constata que são doentes. Também não misturam política com religião e sexualidade. Não fazem abuso de poder e papel de vitimização. Será que a senhora se enquadra no time de Feliciano, Bolsonaro e Malafaia, falsos moralistas e equivocados oportunistas, que deveriam viver na Idade Média, quando a igreja comandava e exercia suas atrocidades, passando-se por justa e salvadora?

Para o seu governo, Marina, gays estudam, trabalham, produzem e pagam contas. Cumprem seus deveres e apenas lutam pelos seus direitos. Alguns ainda constituem famílias e adotam filhos. E isso se denomina dignidade, respeito, cultura, humanismo, cidadania e civilidade (o que muitos evangélicos e políticos deveriam ter ou aprender). 

Deveriam sim pensar nas escolas em que alunos estudam com o guarda-chuva aberto dentro da sala, quando chove, ou que faltam merendas cujas verbas são desviadas. E nos hospitais com pacientes estirados no chão ou esquecidos em macas, morrendo por falta de atendimento e estruturas, além de mulheres parindo nas portas dos hospitais fechados. Já não basta o mico do ano que a Dilma fez com essa Copa?

O papel de um presidente é administrar, representar e honrar pelo seu país, não excluir, envergonhar e difamar seu povo, muito menos usufruir dos seus benefícios. Não precisa ser muito inteligente para deduzir isso. Basta ler as notícias. 

Então vamos organizar as coisas? Cada um no seu espaço. Lugar de religioso é no altar ou no púlpito. E dos políticos é nas câmaras (de gás?). 

Quanto a classe artística, tudo bem que Stepan Nercessian e outros merecem altivos aplausos pelos seus trabalhos. Mas o que dizer de um Tiririca da vida, que precisou fazer até teste para provar que não era analfabeto? Ou da demente Miriam Rios, que queria impedir a contratação de motoristas e babás gays para não correr o risco de 'assediarem' seus filhos? (Será que as 'crianças' dela já viram as antigas revistas em que a mãe aparece nua?)

Direitos humanos deve ser para todos, não somente para menores infratores e criminosos, onde a esposa de um presidiário ou mesmo um bandido têm mais privilégios sociais do que um cidadão comum. 

E isso entristece. Entristece e revolta a gente de uma forma que temos vergonha de ser brasileiros. Ainda amo o meu país, embora ele nada tenha feito por mim até hoje e nem acredito que faça no futuro. 

Mas, se em meio a essa fogueira de vaidades, o diabo cria tantos falsos evangélicos interessado no poder, Deus inventa Jean Willys para a nossa salvação!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O 13 na vida de Eduardo Campos.



Eduardo Campos tem 13 letras em seu nome.
Começou o namoro com Renata Campos, sua futura esposa, desde a adolescência, quando ela ainda tinha 13 anos.
Quando deputado federal criou a Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural Brasileiro em junho de 2000, no dia 13.
Firmou Pernambuco com o maior índice de vida dos habitantes até 2013.
Elevou Pernambuco ao aprimoramento da educação escolar e profissional em 2013.
Também deu ao estado do nordeste o mais elevado número de empregos e de grandes empresas investidoras na região em 2013.
Como governador se aliou à aliança programática com a Rede Sustentabilidade da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, cujo pedido de registro do novo partido foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral, em outubro de 2013. 
Recebeu o prêmio 'Pacto pela Vida' do Banco Interamericano de Desenvolvimento, na categoria 'Governo Seguro – Boas práticas em prevenção do crime e da violência', em 2013.
Sua sobrinha Marília Arraes cumpriu o mandato de vereadora de Recife e iniciou na Secretaria de Juventude e Qualificação Profissional da cidade em 2013.
Seu atual partido, o PSB, continha 513 deputados federais. 
Sua maior rival política, Dilma, pertence ao PT, número 13.
Seu avô, Miguel Arraes, então presidente do partido, faleceu em 13 de agosto de 2005.
A trágica morte do aspirante à presidência foi este ano, também em 13 de agosto.
Recentemente havia completado 49 anos e conforme a numerologia: 4+9= 13.
O jato em que ele viajava caiu na cidade de Santos, cujo DDD é 13.
A aeronave também era usada às vezes por Latino, que causou a demissão de dois pilotos ao permitirem que o cantor fotografasse na cabine em pleno voo, em 2013.
O acidente destruiu 13 imóveis situados no bairro paulistano Boqueirão.
E sua morte foi confirmada pela imprensa às 13 horas.
Só para refletir...


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vinte e dois anos sem Daniella Perez


O amigo Domingos Sávio havia me pedido, há um certo tempo já, para escrever um texto na página que ele havia criado em homenagem à Daniella Perez, desejando fazer uma surpresa para sua mãe, a autora Glória. E agora, logo após o aniversário da jovem que completaria quarenta e quatro anos, e que nunca conseguiremos esquecer, e depois de conhecer pessoalmente Gloria Perez no lançamento do livro sobre Neusinha Brizola, que escrevi com Lucas Nobre, aqui vão finalmente minhas palavras, ajudadas pelo amigo e compositor Júlio César. Não uma dívida salda, mas com o amor que às vezes tanto parece faltar no mundo em que vivemos.

Uma estrela jamais deixa de existir no universo.

Elas nascem e se transformam, mas nunca se apagam. 

Sua luz continua percorrendo intermináveis caminhos. E quanto mais longe estiver, mais forte e longo será seu brilho, no qual mão alguma pode tocar, mas que os olhos podem alcançar inebriados.

Algumas estrelas surgem em nosso planeta com a missão de semear a beleza, a paz, o amor, a justiça e a sensibilidade, muitas vezes incorporando uma sublime força que chamamos simplesmente de arte.

Aos que acreditam em algo mais além da matéria, podemos dizer que somos como as estrelas. Não deixamos de existir. Só nos transformamos. Exatamente como o amor, que, quando verdadeiro e incondicional, não desaparece: apenas se acomoda em algum cantinho dentro de nós. E lá constrói seu ninho. Abrigado. Vivo. Para todo o sempre.

Daniella Perez Gazolla completa vinte e dois anos de partida, porém não deixa de irradiar sua luz no firmamento de cada um que a conheceu, de alguma forma, pessoalmente ou nas telas.

Nenhum céu sobrevive sem estrelas. Nem anjos. Criaturas divinas e criadas para nos proteger, guiar, cuidar e amar, enfeitando nossas vidas e salvando nossas dores, cujas presenças são essenciais entre nós que ainda habitamos esse plano. Afinal, anjos não precisam aparecer para saber que existimos. Basta senti-los.

Em seu olhar que Dani transbordava uma ingenuidade doce, seus gestos leves que demonstravam uma força descomunal, sua presença que preenchia nossos sonhos, sua voz que musicava a alma e sua beleza que deixava o mundo mais perfeito, ela ainda brilha entre nós.

Dani era mais do uma pessoa ou artista. É poesia, fada, anjo, estrela, luz. Ou qualquer coisa especial, livre e ofuscante, e que irradia a esperança de que um dia a humanidade poderá valorizar mais o amor do que a ganância, mais a realidade do que a ilusão, mais a felicidade do que a fama. Porque ela foi assim e deixou sua mensagem.    

E suas sapatilhas, hoje penduradas carinhosamente numa parede, contam uma parte da sua história, através do tecido ruço e das solas gastas, guardando os primeiros e últimos passos que ela deu nos palcos da vida. E possuem invisíveis asas, que se abrem no escuro da memória, ruflam no silêncio da saudade e se debatem rumo ao céu das lembranças, para dançarem no teto estrelado dos nossos corações, onde finalmente repousará, sem deixar de pertencer ao eterno recomeço. 

Abaixo, fotos inéditas e gentilmente cedidas por Glória Perez para Domingos Sávio, que ilustram a página do Face.






               

terça-feira, 5 de agosto de 2014

'Neusinha Brizola sem mintchura' em Paraty

Arte de Rodrigo Manhães.

A primeira vez em Paraty, seja como autor ou leitor, a gente nunca esquece.

Normalmente o evento da Flip acontece no meio do ano letivo, quanto estou às voltas com as provas e aulas de recuperação dos alunos. E isso inviabiliza minha ida. Mas agora o sonho se realizou, através do esforço da atriz Kátia D'Ângelo, em parceria com o professor e diretor teatral Ailton Amaral (que viveu seu momento Van Gogh), e um convite de Luiza Faria, organizadora do Circuito Off-Flip.

Todos sabem que a Flip é a Feira Literária Internacional que acontece em Paraty, e o Circuito Off ocorre antes e paralelamente, promovendo eventos alternativos e regionais. Embora a estrutura da Flip tenha sido reduzida, já o da Off cresceu, completando dez anos de atividades.



Paraty é uma cidade na divisa entre Rio e Sampa, que atrai milhares de turistas, costurada pelas partes nova e a velha, que a faz parecer um cenário de época ou um presépio histórico, com sua arquitetura colonial de janelas e portas coloridas, transformada em pousadas, bares, restaurantes e lojas, espalhados pelas ruas de pedras irregulares.

A região é cercada por montanhas e praias paradisíacas. E a cidade ladeada por uma baía que, quando a maré sobe ou a chuva se intensifica, deixa o cima ainda mais romântico, parecendo Veneza.

Já havia passeado por lá com amigos, em outros tempos, mas não durante a Flip, que dá um brilhantismo totalmente diferente para o local, com uma proliferação de pessoas e toda estrutura montada para a ocasião, onde tudo o que não respira literatura é arte.

A surpresa também é encontrar amigos queridos pelos becos culturais, como Santiago Nazarian, Nelson Motta, Leila Oli, João de Corujão, Tavinho Paes, Camila Carandino, Renata Emily, Imídia, Paulo Girão e Mano Melo, entre outros, que interagiram lindamente em nossa apresentação.


Fazendo parte do roteiro cultural e turístico de Paraty.

Cercado pelo carinho de um público que misturava curiosos, leitores e amigos, fizemos um debate sobre biografias 'chapas-brancas' no Brasil e uma sessão de autógrafos no simpático Lima Bistrô, localizado atrás do Pousada do Limoeiro, quase em frente à Prefeitura, com um delicioso cardápio de café caiçara. 


Lucas Nobre, Luiza Faria, Kátia D'Ângelo, Fábio Fabricio Fabretti e Hailton Amaral.
/ Foto de Eliane Torino /

Também tivemos a oportunidade de assistir ao show da Gal, que abriu a temporada. Era uma das cantoras que eu não ainda conhecia pessoalmente e cuja forte presença cênica comoveu a nós, na área vip, como a toda imensidão de pessoas ao redor.

A palavra que posso definir aquela viagem é 'mágica'. E o amor que eu e Lucas Nobre recebemos foi tanto que deixou saudade antes mesmo de partirmos, e a certeza de que Paraty realmente é para mim, para nós e para todos!

De todos os jornais de grande circulação no país, somente não havíamos saído no O Globo, que ressaltou, na matéria de Thaís Britto, a nossa opinião quanto a polêmica das biografias autorizadas ou não.



Escritores debatem lei das biografias em Paraty 

Biógrafo de Neusinha Brizola diz que prefere histórias autorizadas

E meio à discussão sobre o projeto de lei das biografias que causou polêmicas entre os escritores, artistas e entusiastas do gênero desde 2013 - e que ainda tramita no Senado -, o segredo para escrever uma boa história sem correr maiores riscos judiciais é encontrar um biografado disposto a se expor sem vaidades. Tarefa difícil mas não impossível, garante Fábio Fabrício Fabretti, que ao lado de Lucas Nobre acabou de lançar na Flip "Neusinha Brizola sem mintchura", sobre a movimentada trajetória da filha de Leonel Brizola.
- Eu só trabalho com biografias autorizadas. Não tenho interesse em contar histórias de quem não quer ter sua história contada - Diz Fábio, que já havia escrito, ao lado de Eduardo Nassife, a biografia da atriz Gloria Pires.
- O melhor jeito de não fazer uma biografia chapa-branca é quando a pessoa está disposta a jogar tudo no ventilador. E foi o caso da Neusinha.


Verdades e verdades

Lucas, que é de São Borja, no Rio Grande do Sul, começou atuando como pesquisador para Fábio. Acabou ajudando-o a escrever e compartilhando a autoria do livro:
- É importante quando o biografado está disposto a falar não apenas do auge, mas também dos fracassos e desilusões. Muitas biografias acabam sendo apenas versões floreadas dos fatos e não a verdade. - Defende Lucas.
Mas, mesmo com uma biografia com a ampla contribuição de seu objeto de pesquisa (Neusinha ajudou na concepção do livro até sua morte, em 2011), as dificuldades aparecem. Para Fábio, as maiores foram os buracos históricos e as diferentes versões para um mesmo evento. A saída, diz, é confiar no biografado.
- Precisamos confiar porque a linha condutora é sempre o biografado. Mas é claro que existe a verdade absoluta e a de cada um. Pesquisamos com as outras fontes. Muitas vezes, deixamos algo em aberto para o leitor interpretar. 

(Thaís Britto)    



E para finalizar, um texto de Carlos Dei Ribas para a Folha do Litoral Costa Verde:

Neusinha Brizola sem Mintchura: "Dormi princesa e acordei sapa"

Um turbilhão de ávidos leitores, admiradores, artistas, poetas, moradores acariciam os pés-de-moleque seculares das ruas e ruelas de Paraty, com passos lentos, largos, dançando forró, batendo papos literários ou aleatórios, curtindo um teatro itinerante, se deliciando com uma cocada ou com os instrumentos indígenas expostos nas calçadas, dando prosseguimento à Festa Literária Internacional e ao Curto Circuito Off-Flip de 2014.

Para fechar a noite do segundo dia do Circuito Off - 2014, rolou o concentrado lançamento do livro biográfico "Neusinha Brizola, sem mintchura", de Fabio Fabrício Fabretti e Lucas Nobre, com apresentação da atriz Kátia D'Ângelo, no espaço cultural Lima Bistrô.

Segundo os autores, firmados no compromisso com a verdade, atendendo a um pedido da própria biografa ainda em vida, de que sua biografia servisse para os que querem viver e alavancar a vida, mesmo que isso fosse o seu último escândalo, foram quatro anos de trabalho e muita pesquisa para darem vida a uma biografia que mostrasse uma Neuzinha Brizola brilhante como pessoa, aflorando o seu lado humano, da sua convivência com a família e amigos e não a Neuzinha vastamente explorada politicamente, com intuitos escusos de destruição do pai, Leonel Brizola.


Kátia D'Angelo foi um elemento chave na construção deste trabalho, por ter sido uma amiga presente na vida de Neusinha Brizola, nos momentos de altas e baixas, que passou por situações constrangedoras, como quando voltava em um helicóptero oficial, com os netos de Brizola e o ex-namorado da cantora, Fernando Vannuci, da Ilha de Brocoió e, foram detidos pela Polícia Federal, ao pousarem no heliporto da Lagoa. Segundo ela, teria sido uma articulação/armação da mídia com intuitos de denegrir o ex-governador do Rio. Para ela, Neusinha disse que dormiu princesa e acordou sapa, por ocasião do exílio do pai (e da família).


Durante quase uma hora houve intenso e interessante debate, em que foram levantadas várias questões de conflitos, como "geração trash", "geração saúde" (anos 80/90), politizadas e alienadas, com destaque para um certo vácuo que se observa atualmente, em que, apesar do acesso à correnteza oceânica de informações, via web, paira no ar um marasmo de irreverências, como foi a "montanha russa" da vida de Neusinha Brizola.


(Carlos Dei Ribas)


Photobomb de Fábio Fabrício Fabretti em Paraty tirada por Lucas Nobre.